OUTDOORS NA ESTRADA DE SALINAS/MG - CAPITAL DA PINGA

Esta é, talvez, a primeira lição para as instituições. A comunicação abomina o vazio e sempre encontra uma maneira de ocupar o espaço social. Na ausência de informação confiável e institucionalizada, redobra a atividade de um processo especulativo, difuso na corporação, cuja função é produzir as informações que satisfaçam a curiosidade e preencham a carência do grupo. Boatos e explicações esdrúxulas acabam ocupando o lugar da informação confiável e verdadeira. Como consequência igualmente indesejável, se estabelece um circulo vicioso porque as informações geradas neste contexto apenas estimulam a curiosidade em vez de satisfazê-las.
Muitos anos antes do surgimento de celulares e smartphones, telefone sem fio era apenas o nome de uma brincadeira infantil. Lembra dela? A graça desse joguinho popular consiste em ver como uma mensagem chega totalmente modificada ao último ouvinte depois de ser sussurrada nos ouvidos das pessoas numa longa fila. Apesar de toda a tecnologia disponível (e-mail, mensagem instantânea, videoconferência e os já citados aparelhos móveis), a comunicação entre os funcionários nas empresas continua mais parecida com o passatempo das crianças: a mensagem começa de um jeito e termina de outro. O problema de comunicação se multiplica conforme desce na hierarquia corporativa: começa como uma marolinha na diretoria e se torna um tsunami quando chega aos analistas.
Em uma brincadeira infantil um ruído desses é aceitável. Já no ambiente corporativo isso se traduz em conflito, falta de produtividade e maus resultados.
Um dogma da comunicação - a falta de informação gera o boato! Portanto, por mais permanente que seja a mídia escolhida, a repetição é uma necessidade. Afinal, não foram as pedras gravadas a fogo e entregues à guarda de Moisés, mas a repetição incansável, de geração para geração, que trouxe os Dez Mandamentos desde o Sinai até os dias de hoje.
No contexto de um programa de gestão, os comunicadores não podem hesitar diante da repetição. O importante não é inventar maneiras diferentes de dizer a mesma coisa, para atrair a atenção pela originalidade, mas, simplesmente, dizer a mesma coisa, da mesma forma, tantas vezes quantas forem necessárias. Uma idéia valiosa merece esta oportunidade e o sistema de comunicação deve aceitar, entre os seus múltiplos deveres, o papel de estação repetidora.
Um plano de comunicação começa estabelecendo de forma didática as diferenças entre informação e dado. Para efeito do programa de gestão esta distinção é indispensável para dar mais objetividade a todo o processo de comunicação.
A distinção é arbitrada pelo usuário do dado ou informação. Esta orientação, embora menos acadêmica, é a mais prática e está bem sintonizada com a prioridade dada ao cliente, seja ele externo ou interno, nos programas de gestão.
Caberá ao usuário/cliente decidir o que deseja receber como informação e o que receberá como um dado. A decisão que tomar é importante para todo o processo de comunicação uma vez que informações e dados têm uma natureza dupla. Aquilo que é informação para um setor da empresa, ou para um profissional, pode ser um dado para outra e vice-versa.
Para orientar esta decisão, entretanto, é aconselhável observar algumas características das duas categorias. O que nós consideramos dados são valores, medidas, fragmentos de realidade, afirmações desestruturadas, que não autorizam conclusões lógicas, não ajudam a demonstrar uma hipótese, uma possibilidade de tendência. Falta aos dados uma estrutura, um princípio ou critério que os organize. Quando são estruturados, orientados, começam a revelar idéias e tendências, a descrever realidades – tornam-se informação... Afinal, o dado é a matéria-prima, a informação é o dado estruturado!
Dados e informações, portanto, são definidos em função de interesses e necessidades específicos. Esta é a maneira de resolver a traiçoeira ambiguidade que existe entre dado e informação. Quando adotamos a perspectiva de um departamento ou mesmo de um funcionário, reconhecemos mais facilmente suas necessidades em termos de informações e/ou dados de que precisa para suas decisões. É muito comum, diria mesmo que é a regra, na ausência de uma clara distinção entre dados e informações, afogar um funcionário ou um departamento de uma empresa com um oceano de informações/dados, apenas porque não ficou claro desde o inicio quais são as suas necessidades reais. Esta forma exaustiva é usada quando o emissor, desconhecendo exatamente o que enviar, quer ter a certeza de que o receptor encontrará o que precisa no meio do oceano de dados/informações enviado, o que sempre é muito trabalhoso e nem sempre é possível. A única verdade deste processo exaustivo é que ele atrasa as decisões, prejudica a objetividade dos processos produtivos, consome tempo e aumenta a probabilidade de erros.
O processo de comunicação associado à gestão segue o encadeamento funcional do produto. Do inicio para o fim, os dados são organizados em informação e usados para viabilizar uma fase operacional da empresa; são depois cedidos como dados para a fase seguinte, onde comporão informação de grau mais complexo.
A comunicação, como qualquer outro processo produtivo ou administrativo, tem parâmetros de gestão que precisam ser assegurados a cada passo. É preciso observar sempre a correspondência entre o que se quis comunicar e aquilo que foi entendido, entre a informação ou dado que se desejava receber e o que foi efetivamente recebido e, finalmente, verificar a identidade entre a mensagem emitida e a mensagem recebida. Verificar o quanto a informação permanece íntegra ao longo do processo.
O direito de exigir os dados/informações de que necessita e a ordem em que deseja recebê-los corresponde, para cada usuário, ao dever de especificar o que precisa receber e quando deseja receber. O sistema de comunicação, portanto, precisa começar pela definição das necessidades de cada usuário, como é o caso de qualquer outra matéria-prima.
Resumindo...
A intensidade dos fluxos de informação através de uma trama de canais que permeia a organização é sinal seguro da energia com que é implantado o programa de gestão. Por sua vez, a gestão da informação que circula nesta rede é uma indicação segura da maturidade empresarial e do estágio de desenvolvimento do programa de gestão.
Comunicação pobre, dispersa, irregular, improvisada, inoportuna, significa “mais uma no mercado”, com um sistema de comunicação gaguejante, e um programa de gestão fraco e hesitante. O sucesso, portanto, é diretamente proporcional à eficiência e à própria gestão do sistema de comunicação.
No cenário empresarial, a comunicação joga um duplo papel. Ora é instrumento, ora é parte intrínseca do programa de gestão. Com frequência, ela é o componente do sistema de gestão que garante a gestão final dos produtos e serviços, mas com igual frequência ela também é objeto do programa de gestão.
O manual do usuário de qualquer produto é um bom exemplo desta natureza ambígua. Ele é peça do produto - a rigor é a peça que diz como o produto funciona - e, portanto, é componente da gestão do produto. Mas o manual interno que ensina como deve ser produzido o manual do usuário é um documento e parte da gestão do fabricante. Este fica na empresa, aquele é incorporado ao produto. E repetindo para enfatizar: a comunicação ora é parte do sistema de gestão da gestão, ora é componente da gestão do produto ou serviço. E esta dupla condição precisa ser prevista no planejamento dos dois sistemas: de gestão e de comunicação.
Em alguns casos, é ocioso tentar desfazer a ambiguidade dos papéis da comunicação. Basta reconhecer que a comunicação, como objeto ou instrumento do programa de gestão, deve ser examinada como processo operacional, para o qual devemos prever controles, avaliação e desenvolvimento.
Neste particular, os programas de gestão existentes deixam para cada organização a forma de implantar um sistema de comunicação, no ritmo que for compatível com seus recursos e planos.
É neste ponto, na encruzilhada em que se opta por um entre muitos projetos de comunicação, que as empresas começam a ser diferentes umas das outras. É neste ponto também que as possibilidades de sucesso se repartem de forma desigual. As opções que devem ser feitas para o sistema de comunicação implicam a sorte de todo o programa de gestão da empresa. Sem nenhuma hesitação, é possível afirmar que as probabilidades de sucesso do programa de gestão são diretamente proporcionais à gestão das decisões que forem tomadas na área da comunicação.
Implantar, administrar a comunicação, mantê-la sintonizada com a missão da empresa e suas metas operacionais são as condições fundamentais para o êxito, especialmente para aquelas empresas que desejam uma auditoria tranquila na ocasião das certificações e uma participação forte e lucrativa no mercado globalizado.
Estes são, portanto, alguns dos fatos que definem a importância e o papel da comunicação dentro da empresa e em particular dos programas de gestão:

Figura – Processo de Comunicação Integrada / Exemplo de um Ciclo de Realização de Projetos.
Fonte: BIREME é um Centro Especializado da OPAS[1], em colaboração com Ministério de Saúde, Ministério da Educação,
Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e Universidade Federal de São Paulo. (http://www.bireme.br)
[1] A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) é um organismo internacional de saúde pública com mais de 100 anos de experiência no trabalho para melhorar a saúde e qualidade de vida dos países das Américas. Serve como a organização especializada de saúde do Sistema Inter-Americano. Também serve como o Escritório Regional para as Américas da Organização Mundial da Saúde e goza de reconhecimento internacional como parte do sistema das Nações Unidas. (http://new.paho.org/hq/)

Comunicar, confundir, registrar, recuperar e repetir informações – é fácil perceber no dia-a-dia de nossas vidas a comunicação tecendo a História da humanidade. Quando se fala de forma ampla a respeito da comunicação é difícil encontrar quem negue sua importância. Esta importância, contudo, passa geralmente despercebida quando estreitamos o foco para discutir nossas rotinas, a comunicação em nossas casas e em nosso trabalho. Ela nos parece um fenômeno tão natural e tão automático que dispensa qualquer preocupação.
O Velho Testamento, em Gênesis, conta que na Babilônia de Nabucodonosor, os homens sonharam com um acesso mais fácil ao Paraíso. E decidiram construir uma torre que alcançaria o Céu. Não seria a primeira, mas seria a maior e a mais bonita torre já construída pelo homem. E sem dúvida, a mais útil!
A narrativa bíblica revela que Deus, aborrecido com a soberba daqueles pecadores, decidiu castigá-los impedindo que continuassem a obra. Entre as infinitas maneiras que lhe eram possíveis - incluindo na lista terremotos e pestes - Deus optou por uma estratégia muito mais sofisticada e que consistia em confundir a linguagem dos homens. Foi o bastante para que o projeto fosse abandonado. Dele foi regatado o registro bíblico e a lição divina “comunicação é fundamental”. Quem não acredita sempre acaba mergulhado na mesma confusão dos construtores da torre de Babel.
Exemplos não faltam para atestar a importância da comunicação. Pouco lembrado, mas especialmente significativo, foi o papel da comunicação no início do protestantismo. Quando MARTINHO LUTERO iniciou o movimento pela reforma sua primeira ação foi elaborar uma lista com 95 teses, que afixou na porta da IGREJA DE WITTEMBERG como num mural. Com a ajuda da então recém-inventada imprensa de JOHANN GUTEMBERG, em menos de um mês, toda a Europa conhecia o documento.
Os exemplos bíblicos e históricos entram aqui menos para mostrar a importância da comunicação do que para indicar a antiguidade da experiência humana neste assunto, que é tão velha, pelo menos, quanto à linguagem iconográfica das cavernas do paleolítico.
Esta apostila se reconhece como uma pequena fração deste longo e trabalhoso processo cultural. Seu objetivo é identificar as características da comunicação no ambiente empresarial, em particular no ambiente da indústria. Está endereçado, portanto, a todos os engajados na gestão empresarial e especialmente àqueles que têm sob sua responsabilidade os programas de comunicação de suas empresas. Acredito que esta apostila também será útil a todos os que desejam conhecer melhor as relações de causa e efeito entre a comunicação, como processo social, e as atividades compreendidas na organização empresarial... É no curso dos programas de gestão que a importância prática da comunicação ganha visibilidade inegável, permitindo até avaliações quantitativas. É neles também que aparecem os prejuízos mais dramáticos da perversão ou simples insuficiência do processo de comunicação.
O desenvolvimento da gestão empresarial, visando ou não as normas de certificação, têm como primeiro resultado tornar evidente a importância crítica das comunicações. Os gestores são os primeiros a lamentar os efeitos nocivos da confusão babélica sobre o desempenho da organização e, portanto, os primeiros a sentir a necessidade de criar e disciplinar os fluxos de comunicação. Na indústria, por exemplo, devido à formação predominantemente técnica dos profissionais que atuam nela, raramente a força de trabalho está preparada para lidar e administrar os complexos processos da comunicação humana.
Ao contrário da literatura corrente, que usa enfoques abrangentes para atender à natureza holística dos programas de gestão, este apostila assume, de forma consciente e deliberada, o viés da comunicação e analisa a realidade da empresa em função dos fluxos de comunicação que a percorrem, favorecendo ou comprometendo os objetivos empresariais. É, portanto, uma fonte enriquecida sobre Comunicação para a Gestão.
O papel que assumimos nos permite situar os problemas da comunicação nos cenários da própria indústria e na sua cultura pragmática, com a esperança de que esta abordagem aumente a utilidade desta apostila.
Além deste viés, esta apostila se caracteriza pela análise e discussão do papel duplo, e muitas vezes ambíguo, da comunicação nos programas de gestão - ora objeto, ora instrumento destes programas, ora instrumento e objeto ao mesmo tempo.
A literatura sobre a gestão, embora abundante, passa em marcha batida pelo tema da comunicação, pressupondo uma simplicidade que é desmentida diariamente na prática gerencial. A experiência e a observação da atividade, no País e no exterior, mostram evidências de que o descuido com a comunicação ou a administração de sistemas de comunicação são as principais causas dos fracassos dos programas de gestão e produtividade.
A aproximação do tema “comunicação” está sintonizada com o estilo prático que se atribui aos empresários, hoje em dia cada vez mais conscientes de que a diferença competitiva entre as empresas será dada pelo fator humano. E isto significa, em última instância, que a diferença entre as empresas será decorrência da gestão dos processos de comunicação que se desenrolam dentro da empresa, somando talentos, melhorando a qualidade das decisões, determinando a oportunidade precisa de cada ação produtiva, sintonizando homens e máquinas no mesmo esforço. A globalização da economia e a "democratização" da tecnologia não deixam alternativas.