segunda-feira, 15 de junho de 2009

OUTDOOR NA ESTRADA DE SALINAS/MG

Boa estratégia de educação no trânsito...

OUTDOORS NA ESTRADA DE SALINAS/MG - CAPITAL DA PINGA











domingo, 14 de junho de 2009

Tudo ao mesmo tempo agora...

Por Marco Collonna [amcmarco@gmail.com]

Nunca se falou tanto em liberdade, e poucas vezes fomos tão pressionados por exigências absurdas...

Sem dúvida, num tempo em que os maiores recursos tornam as possibilidades mais ricas e várias, não ganhamos mais páginas para escrever; ganhamos um roteiro a cumprir. Saímos da vida para entrar numa gincana.

A lista de tarefas é polpuda. Você (para ser um, você que preste) tem de ser bonito (relação de produtos, tratamentos, academias e exercícios em anexo), tem de ser descolado (relação de filmes, livros, shows e viagens obrigatórias em anexo), tem de ter mestrado até os 25 anos, doutorado até os 30 anos, uns dois MBAs já há muitos, promoção para a vice-presidência até os 34, marido (ou esposa) até os 35, dois filhos apolíneos até os 37.

Claro, o ideal mesmo seria fazer tudo isso até os 23. Você tem de conhecer toda e qualquer função do celular – e se o seu só serve para aquilo que serve um telefone, você é um dalit impuro, ignominioso e desprezível. Tem de saber o que é blackberry, bluetooth, iPhone, mp6, mp7, mp8, programar qualquer espécie de DVD sem ler o manual, já ter baixado pelo menos 5.376 músicas da internet, ser no mínimo um webdesigner amador, colocar o notebook na bolsa da praia, checar e responder a e-mails no cinema. Tem de estar – como disse alegremente o comercial a que assisti ontem mesmo... no cinema – conectado o tempo todo. E ai de você se ficar inacessível por quatro minutos. Capaz de dar divórcio, de ser demitido, de a empregada se suicidar, de o filho precisar de terapia. Como assim, a bateria arriou? como assim, estava dormindo? ou pior: estava almoçando? E você almoça sem o celular?? Divórcio, claro. Impossível conviver com uma pessoa tão rebelde à urgência alheia. Pior: que nem sabe os motivos do aquecimento global. Pior: que nunca ouviu Amy Winehouse. Pior: que nem é mais jovem!! já tem 28 longos anos – e onze meses!...

Na antiguidade de uma década atrás, começávamos o ano com uma listinha de promessas. Atualmente o principiamos com uma lista de material. Cada janeiro traz novas, moderníssimas obrigatoriedades, como a troca de cada aparelhinho que já saiu obsoleto da loja, ou a reserva (para julho) no restaurante que está bom-ban-do (e em dezembro, claro, já estará etiquetado com a setinha "desce" em qualquer revista). Sobra tão pouco para nós, sobra tão pouco de nós. Tão pouco tempo, e não meramente para viver com propósito: para viver de propósito. Para ter qualquer idade com 100% de certeza. Para ter qualquer profissão com direito a dúvida. Para não ser feliz compulsória, e sim gratuitamente – mesmo que com dificuldade, porque também se tem direito à dificuldade. Sobra tão pouco tempo para termos tempo – pois passamos o tempo todo não o tendo (tê-lo pega mal). Somos tidos. Pelos bens, pelas urgências, pelas tantas necessidades emprestadas, pelas muitas vontades absorvidas, pelos complexos plantados, pelas supostas verdades semeadas (diferentes daquelas da semana anterior), pelos sentimentos farmaceuticamente encapsulados – somos tidos: voz-passivamente. Numa vida sem quintal, sem balão azul; uma vida de plástico que, "aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma”.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

REPETIÇÃO É UMA NECESSIDADE

Esta é, talvez, a primeira lição para as instituições. A comunicação abomina o vazio e sempre encontra uma maneira de ocupar o espaço social. Na ausência de informação confiável e institucionalizada, redobra a atividade de um processo especulativo, difuso na corporação, cuja função é produzir as informações que satisfaçam a curiosidade e preencham a carência do grupo. Boatos e explicações esdrúxulas acabam ocupando o lugar da informação confiável e verdadeira. Como consequência igualmente indesejável, se estabelece um circulo vicioso porque as informações geradas neste contexto apenas estimulam a curiosidade em vez de satisfazê-las.

Muitos anos antes do surgimento de celulares e smartphones, telefone sem fio era apenas o nome de uma brincadeira infantil. Lembra dela? A graça desse joguinho popular consiste em ver como uma mensagem chega totalmente modificada ao último ouvinte depois de ser sussurrada nos ouvidos das pessoas numa longa fila. Apesar de toda a tecnologia disponível (e-mail, mensagem instantânea, videoconferência e os já citados aparelhos móveis), a comunicação entre os funcionários nas empresas continua mais parecida com o passatempo das crianças: a mensagem começa de um jeito e termina de outro. O problema de comunicação se multiplica conforme desce na hierarquia corporativa: começa como uma marolinha na diretoria e se torna um tsunami quando chega aos analistas.

Em uma brincadeira infantil um ruído desses é aceitável. Já no ambiente corporativo isso se traduz em conflito, falta de produtividade e maus resultados.

Um dogma da comunicação - a falta de informação gera o boato! Portanto, por mais permanente que seja a mídia escolhida, a repetição é uma necessidade. Afinal, não foram as pedras gravadas a fogo e entregues à guarda de Moisés, mas a repetição incansável, de geração para geração, que trouxe os Dez Mandamentos desde o Sinai até os dias de hoje.

No contexto de um programa de gestão, os comunicadores não podem hesitar diante da repetição. O importante não é inventar maneiras diferentes de dizer a mesma coisa, para atrair a atenção pela originalidade, mas, simplesmente, dizer a mesma coisa, da mesma forma, tantas vezes quantas forem necessárias. Uma idéia valiosa merece esta oportunidade e o sistema de comunicação deve aceitar, entre os seus múltiplos deveres, o papel de estação repetidora.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Festival Latino-Americano de Captação de Recursos

Entre os dias 20 e 22 de julho será realizado o Festival Latino-Americano de Captação de Recursos, uma iniciativa da Revista Filantropia, The Resource Alliance e Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR). O objetivo do evento, que contará com palestrantes de diversos países, como Argentina, Espanha e Chile, é abordar a importância da captação de recursos para as organizações do Terceiro Setor, destacando aspectos como criatividade e os desafios enfrentados pelos captadores em seu dia-a-dia.

Programa Benchmarking

Em sua sétima edição, o Programa Benchmarking já se consolidou como um dos mais respeitados Selos de Sustentabilidade. As instituições com boas práticas podem inscrever seus cases até 30 de junho pela internet, e uma vez ranqueados farão parte do maior Banco Digital de Boas Práticas de livre acesso do país.

1º Prêmio Fecomércio de Sustentabilidade

Lançado em setembro do ano passado, o Prêmio Fecomércio de Sustentabilidade, apoiado pela Fundação Itaú Social, Companhia Têxtil de Castanhal e SEBRAE/SP, reafirma o compromisso da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) com o desenvolvimento sustentável da comunidade empresarial. Seu objetivo é reconhecer as iniciativas no varejo que respeitam os recursos naturais e os direitos dos trabalhadores. Os empresários podem fazer as inscrições gratuitamente até o dia 15 de junho. A premiação vale para projetos desenvolvidos antes de 1º de maio de 2008.

DADOS E INFORMAÇÕES

Um plano de comunicação começa estabelecendo de forma didática as diferenças entre informação e dado. Para efeito do programa de gestão esta distinção é indispensável para dar mais objetividade a todo o processo de comunicação.

A distinção é arbitrada pelo usuário do dado ou informação. Esta orientação, embora menos acadêmica, é a mais prática e está bem sintonizada com a prioridade dada ao cliente, seja ele externo ou interno, nos programas de gestão.

Caberá ao usuário/cliente decidir o que deseja receber como informação e o que receberá como um dado. A decisão que tomar é importante para todo o processo de comunicação uma vez que informações e dados têm uma natureza dupla. Aquilo que é informação para um setor da empresa, ou para um profissional, pode ser um dado para outra e vice-versa.

Para orientar esta decisão, entretanto, é aconselhável observar algumas características das duas categorias. O que nós consideramos dados são valores, medidas, fragmentos de realidade, afirmações desestruturadas, que não autorizam conclusões lógicas, não ajudam a demonstrar uma hipótese, uma possibilidade de tendência. Falta aos dados uma estrutura, um princípio ou critério que os organize. Quando são estruturados, orientados, começam a revelar idéias e tendências, a descrever realidades – tornam-se informação... Afinal, o dado é a matéria-prima, a informação é o dado estruturado!

Dados e informações, portanto, são definidos em função de interesses e necessidades específicos. Esta é a maneira de resolver a traiçoeira ambiguidade que existe entre dado e informação. Quando adotamos a perspectiva de um departamento ou mesmo de um funcionário, reconhecemos mais facilmente suas necessidades em termos de informações e/ou dados de que precisa para suas decisões. É muito comum, diria mesmo que é a regra, na ausência de uma clara distinção entre dados e informações, afogar um funcionário ou um departamento de uma empresa com um oceano de informações/dados, apenas porque não ficou claro desde o inicio quais são as suas necessidades reais. Esta forma exaustiva é usada quando o emissor, desconhecendo exatamente o que enviar, quer ter a certeza de que o receptor encontrará o que precisa no meio do oceano de dados/informações enviado, o que sempre é muito trabalhoso e nem sempre é possível. A única verdade deste processo exaustivo é que ele atrasa as decisões, prejudica a objetividade dos processos produtivos, consome tempo e aumenta a probabilidade de erros.

O processo de comunicação associado à gestão segue o encadeamento funcional do produto. Do inicio para o fim, os dados são organizados em informação e usados para viabilizar uma fase operacional da empresa; são depois cedidos como dados para a fase seguinte, onde comporão informação de grau mais complexo.

A comunicação, como qualquer outro processo produtivo ou administrativo, tem parâmetros de gestão que precisam ser assegurados a cada passo. É preciso observar sempre a correspondência entre o que se quis comunicar e aquilo que foi entendido, entre a informação ou dado que se desejava receber e o que foi efetivamente recebido e, finalmente, verificar a identidade entre a mensagem emitida e a mensagem recebida. Verificar o quanto a informação permanece íntegra ao longo do processo.

O direito de exigir os dados/informações de que necessita e a ordem em que deseja recebê-los corresponde, para cada usuário, ao dever de especificar o que precisa receber e quando deseja receber. O sistema de comunicação, portanto, precisa começar pela definição das necessidades de cada usuário, como é o caso de qualquer outra matéria-prima.

Resumindo...

  1. É importante estabelecer a distinção entre informações e dados, em cada passo do processo. Esta distinção evita equívocos e aumenta a objetividade da comunicação.
  2. O usuário é quem decide quais as informações/dados que deseja receber e quando deseja receber. Cada uma das pessoas envolvidas no processo de comunicação, portanto, deve emitir uma lista dos documentos que precisa receber, especificando quando, como e com que frequência precisa recebê-los.
  3. O excesso de dados/informações atrasa as decisões, prejudica a objetividade dos processos produtivos, consome tempo e aumenta a probabilidade de erros.
  4. Dados e/ou informações crescem em complexidade ao longo da linha de produção.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

COMUNICAÇÃO, AGENTE E PACIENTE DA GESTÃO

A intensidade dos fluxos de informação através de uma trama de canais que permeia a organização é sinal seguro da energia com que é implantado o programa de gestão. Por sua vez, a gestão da informação que circula nesta rede é uma indicação segura da maturidade empresarial e do estágio de desenvolvimento do programa de gestão.

Comunicação pobre, dispersa, irregular, improvisada, inoportuna, significa “mais uma no mercado”, com um sistema de comunicação gaguejante, e um programa de gestão fraco e hesitante. O sucesso, portanto, é diretamente proporcional à eficiência e à própria gestão do sistema de comunicação.

No cenário empresarial, a comunicação joga um duplo papel. Ora é instrumento, ora é parte intrínseca do programa de gestão. Com frequência, ela é o componente do sistema de gestão que garante a gestão final dos produtos e serviços, mas com igual frequência ela também é objeto do programa de gestão.

O manual do usuário de qualquer produto é um bom exemplo desta natureza ambígua. Ele é peça do produto - a rigor é a peça que diz como o produto funciona - e, portanto, é componente da gestão do produto. Mas o manual interno que ensina como deve ser produzido o manual do usuário é um documento e parte da gestão do fabricante. Este fica na empresa, aquele é incorporado ao produto. E repetindo para enfatizar: a comunicação ora é parte do sistema de gestão da gestão, ora é componente da gestão do produto ou serviço. E esta dupla condição precisa ser prevista no planejamento dos dois sistemas: de gestão e de comunicação.

Em alguns casos, é ocioso tentar desfazer a ambiguidade dos papéis da comunicação. Basta reconhecer que a comunicação, como objeto ou instrumento do programa de gestão, deve ser examinada como processo operacional, para o qual devemos prever controles, avaliação e desenvolvimento.

Neste particular, os programas de gestão existentes deixam para cada organização a forma de implantar um sistema de comunicação, no ritmo que for compatível com seus recursos e planos.

É neste ponto, na encruzilhada em que se opta por um entre muitos projetos de comunicação, que as empresas começam a ser diferentes umas das outras. É neste ponto também que as possibilidades de sucesso se repartem de forma desigual. As opções que devem ser feitas para o sistema de comunicação implicam a sorte de todo o programa de gestão da empresa. Sem nenhuma hesitação, é possível afirmar que as probabilidades de sucesso do programa de gestão são diretamente proporcionais à gestão das decisões que forem tomadas na área da comunicação.

Implantar, administrar a comunicação, mantê-la sintonizada com a missão da empresa e suas metas operacionais são as condições fundamentais para o êxito, especialmente para aquelas empresas que desejam uma auditoria tranquila na ocasião das certificações e uma participação forte e lucrativa no mercado globalizado.

Estes são, portanto, alguns dos fatos que definem a importância e o papel da comunicação dentro da empresa e em particular dos programas de gestão:

  1. O sucesso do programa de gestão é diretamente proporcional à qualidade das decisões que forem tomadas na área da comunicação.
  2. A gestão da informação que circula na empresa indica o estágio de desenvolvimento do programa de gestão.
  3. A comunicação tem o status de infra-estrutura nos programas de gestão.
  4. O planejamento de uma empresa deve incluir a comunicação nas suas duas condições: objeto e instrumento do programa de gestão.



Figura – Processo de Comunicação Integrada / Exemplo de um Ciclo de Realização de Projetos.

Fonte: BIREME é um Centro Especializado da OPAS[1], em colaboração com Ministério de Saúde, Ministério da Educação,
Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e Universidade Federal de São Paulo. (http://www.bireme.br)



[1] A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) é um organismo internacional de saúde pública com mais de 100 anos de experiência no trabalho para melhorar a saúde e qualidade de vida dos países das Américas. Serve como a organização especializada de saúde do Sistema Inter-Americano. Também serve como o Escritório Regional para as Américas da Organização Mundial da Saúde e goza de reconhecimento internacional como parte do sistema das Nações Unidas. (http://new.paho.org/hq/)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

PROCESSO DE COMUNICAÇÃO

A comunicação é um processo que envolve a troca de informações, e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim. Estão envolvidas neste processo várias maneiras de se comunicar: pessoas tendo uma conversa, ou através de gestos com as mãos, por mensagens enviadas utilizando a rede global de telecomunicações, pela fala ou a escrita... O estudo da comunicação é amplo e sua aplicação é ainda maior. Para a semiótica (estudo dos sinais), por exemplo, o ato de comunicar é a materialização do pensamento/sentimento em signos conhecidos pelas partes envolvidas.

Uma das alternativas para aplicar a comunicação com qualidade é entendermos como o processo de comunicação se realiza. Não se trata de analisarmos cada diferente tipo de comunicação, mas de identificar certos pontos em comuns entre elas. A forma como se relacionam e se processam nos mais diferentes ambientes e situações.

Um modelo de processo de comunicação (figura 1), entre tantos outros, elaborado por DAVID K. BERLO, em 1963, apresenta alguns elementos comuns:

Figura 1 – Modelo do processo de comunicação elaborado por David K.Berlo
Fonte – O Processo da Comunicação - Introdução à Teoria e Prática / Autor: David K. Berlo
Título original: The Process of Communication - An Introduction to Theory and Practice

Toda comunicação humana tem uma fonte: uma pessoa ou um grupo de pessoas com um objetivo. Estabelecida uma origem, com idéias, necessidades, intenções, informações e um objetivo a comunicar, tornam-se necessário o segundo elemento. O objetivo da fonte tem de ser expresso em forma de mensagem. Na comunicação humana, a mensagem é traduzida num código, num conjunto sistemático de símbolos.

Os objetivos da fonte são traduzidos num código através do terceiro elemento, o codificador, responsável por pegar as idéias da fonte e pô-las num código, exprimindo o objetivo da fonte em forma de mensagem. Na comunicação de pessoa para pessoa, a função codificadora é executada pelas habilidades motoras da fonte, seu mecanismo vocal (que produz a palavra oral, gritos, notas musicais, etc.), o sistema muscular da mão (que produz a palavra escrita, desenhos etc.), os sistemas musculares de outras partes do corpo (que produzem os gestos da face e dos braços, a postura, etc.).

Quando falamos sobre situações de comunicação mais complexa, é comum separarmos a fonte do codificador. Por exemplo, podemos considerar um gerente de vendas como fonte e os vendedores como codificadores, pessoas que produzem mensagens para o consumidor, traduzindo as intenções ou objetivos do gerente.

O quarto elemento é o canal. O canal é o intermediário, o condutor de mensagens. A escolha dos canais é muitas vezes fator importante para a eficácia da comunicação.
O quinto elemento é o recebedor, o alvo da comunicação... Se falarmos, alguém deve ouvir, quando escrevemos, alguém deve ler... Para haver comunicação, deve haver alguém na outra ponta do canal.

As fontes e os recebedores de comunicação devem ser sistemas similares. Senão será impossível a comunicação.

Temos agora todos os elementos da comunicação, exceto um. Assim como a fonte precisa do codificador para traduzir seus objetivos em forma de mensagens, para expressar seu objetivo num código, o receptor precisa do decodificador para decifrar a mensagem e pô-la em forma que possa usar. Na comunicação de pessoa para pessoa, o decodificador pode ser considerado como os sentidos.

São estes, pois, os elementos que incluímos no estudo de um modelo do processo de comunicação:

  • A Fonte da comunicação ou Emissor;
  • O Codificador;
  • A mensagem;
  • O canal;
  • O decodificador;
  • O recebedor da comunicação.

Um exemplo... Uma situação comum de comunicação: duas pessoas conversando. Suponhamos que seja a manhã de sexta-feira... Encontramos José e Maria no café local. Há um piquenique marcado para domingo à tarde. De repente, José sente que Maria é a pequena que deve levar ao piquenique... Resolve convidá-la! José, que está pronto para agir como fonte de comunicação, tem como objetivo: fazer com que Maria concorde em acompanhá-lo no domingo.

José precisa criar uma mensagem. Seu sistema nervoso central ordena ao seu mecanismo vocal, servindo como codificador, que produza esta mensagem: "Maria, quer ir comigo ao piquenique, domingo?"

A mensagem é transmitida por ondas sonoras, através do ar, para que Maria a receba. É este o canal! O mecanismo auditivo de Maria é o decodificador. Ela ouve a mensagem de José, decodifica-a em impulso nervoso e a remete ao sistema nervoso central, que responde à mensagem. Ela decide que já é tarde para um convite no domingo. Maria pretende recusar o convite e envia ordem ao seu mecanismo vocal. Surge então a mensagem: "Obrigada, José mas não posso". Ou algo mais delicado.

Evidentemente, é um tratamento elementar, e simplificadíssimo da natureza do processo de comunicação, mas que inclui, pelo menos superficialmente, todos os seis elementos apresentados.
O modelo é igualmente útil na descrição do comportamento de comunicação de uma organização complexa. Numa situação assim, as funções codificadora e decodificadora são muitas vezes separáveis das funções emissoras e receptoras. Da mesma forma, certas pessoas da organização desempenham papéis tanto de fonte como de recebedor.

Os elementos discutidos são essenciais à comunicação. Quer tratemos a comunicação em termos de uma pessoa, duas pessoas ou de uma rede institucional, as funções rotuladas como fonte, codificador e recebedor têm de ser desempenhadas. As mensagens estão sempre presentes e devem existir em algum canal. A maneira pela qual elas se reúnem, em que ordem e com que espécies de inter-relações, depende da situação, da natureza do processo específico em estudo e da dinâmica criada.

COMUNICAÇÃO NAS NOSSAS VIDAS

Comunicar, confundir, registrar, recuperar e repetir informações – é fácil perceber no dia-a-dia de nossas vidas a comunicação tecendo a História da humanidade. Quando se fala de forma ampla a respeito da comunicação é difícil encontrar quem negue sua importância. Esta importância, contudo, passa geralmente despercebida quando estreitamos o foco para discutir nossas rotinas, a comunicação em nossas casas e em nosso trabalho. Ela nos parece um fenômeno tão natural e tão automático que dispensa qualquer preocupação.

O Velho Testamento, em Gênesis, conta que na Babilônia de Nabucodonosor, os homens sonharam com um acesso mais fácil ao Paraíso. E decidiram construir uma torre que alcançaria o Céu. Não seria a primeira, mas seria a maior e a mais bonita torre já construída pelo homem. E sem dúvida, a mais útil!

A narrativa bíblica revela que Deus, aborrecido com a soberba daqueles pecadores, decidiu castigá-los impedindo que continuassem a obra. Entre as infinitas maneiras que lhe eram possíveis - incluindo na lista terremotos e pestes - Deus optou por uma estratégia muito mais sofisticada e que consistia em confundir a linguagem dos homens. Foi o bastante para que o projeto fosse abandonado. Dele foi regatado o registro bíblico e a lição divina “comunicação é fundamental”. Quem não acredita sempre acaba mergulhado na mesma confusão dos construtores da torre de Babel.

Exemplos não faltam para atestar a importância da comunicação. Pouco lembrado, mas especialmente significativo, foi o papel da comunicação no início do protestantismo. Quando MARTINHO LUTERO iniciou o movimento pela reforma sua primeira ação foi elaborar uma lista com 95 teses, que afixou na porta da IGREJA DE WITTEMBERG como num mural. Com a ajuda da então recém-inventada imprensa de JOHANN GUTEMBERG, em menos de um mês, toda a Europa conhecia o documento.

Os exemplos bíblicos e históricos entram aqui menos para mostrar a importância da comunicação do que para indicar a antiguidade da experiência humana neste assunto, que é tão velha, pelo menos, quanto à linguagem iconográfica das cavernas do paleolítico.

Esta apostila se reconhece como uma pequena fração deste longo e trabalhoso processo cultural. Seu objetivo é identificar as características da comunicação no ambiente empresarial, em particular no ambiente da indústria. Está endereçado, portanto, a todos os engajados na gestão empresarial e especialmente àqueles que têm sob sua responsabilidade os programas de comunicação de suas empresas. Acredito que esta apostila também será útil a todos os que desejam conhecer melhor as relações de causa e efeito entre a comunicação, como processo social, e as atividades compreendidas na organização empresarial... É no curso dos programas de gestão que a importância prática da comunicação ganha visibilidade inegável, permitindo até avaliações quantitativas. É neles também que aparecem os prejuízos mais dramáticos da perversão ou simples insuficiência do processo de comunicação.

O desenvolvimento da gestão empresarial, visando ou não as normas de certificação, têm como primeiro resultado tornar evidente a importância crítica das comunicações. Os gestores são os primeiros a lamentar os efeitos nocivos da confusão babélica sobre o desempenho da organização e, portanto, os primeiros a sentir a necessidade de criar e disciplinar os fluxos de comunicação. Na indústria, por exemplo, devido à formação predominantemente técnica dos profissionais que atuam nela, raramente a força de trabalho está preparada para lidar e administrar os complexos processos da comunicação humana.

Ao contrário da literatura corrente, que usa enfoques abrangentes para atender à natureza holística dos programas de gestão, este apostila assume, de forma consciente e deliberada, o viés da comunicação e analisa a realidade da empresa em função dos fluxos de comunicação que a percorrem, favorecendo ou comprometendo os objetivos empresariais. É, portanto, uma fonte enriquecida sobre Comunicação para a Gestão.

O papel que assumimos nos permite situar os problemas da comunicação nos cenários da própria indústria e na sua cultura pragmática, com a esperança de que esta abordagem aumente a utilidade desta apostila.

Além deste viés, esta apostila se caracteriza pela análise e discussão do papel duplo, e muitas vezes ambíguo, da comunicação nos programas de gestão - ora objeto, ora instrumento destes programas, ora instrumento e objeto ao mesmo tempo.

A literatura sobre a gestão, embora abundante, passa em marcha batida pelo tema da comunicação, pressupondo uma simplicidade que é desmentida diariamente na prática gerencial. A experiência e a observação da atividade, no País e no exterior, mostram evidências de que o descuido com a comunicação ou a administração de sistemas de comunicação são as principais causas dos fracassos dos programas de gestão e produtividade.

A aproximação do tema “comunicação” está sintonizada com o estilo prático que se atribui aos empresários, hoje em dia cada vez mais conscientes de que a diferença competitiva entre as empresas será dada pelo fator humano. E isto significa, em última instância, que a diferença entre as empresas será decorrência da gestão dos processos de comunicação que se desenrolam dentro da empresa, somando talentos, melhorando a qualidade das decisões, determinando a oportunidade precisa de cada ação produtiva, sintonizando homens e máquinas no mesmo esforço. A globalização da economia e a "democratização" da tecnologia não deixam alternativas.


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